15 de set de 2010

Reforma Eustoquiana




REFORMA EUSTOQUIANA (1440-1485) - Santa Eustóquia de Messina


A reforma de Santa Eustóquia de Messina (1434-1485), embora partilhando as mesmas aspirações do grande movimento reformador franciscano dos Observantes, assumiu características bem próprias. A reformadora, possuindo uma personalidade firme e marcante, imprimiu tendências próprias ineludíveis à reforma clariana na Sicília. Era inteligentíssima, vivaz, dotada de sendo crítico e prático, sensível, compreensiva, altruísta e generosa. Sua intensa vida mística, seu bom senso e a capacidade de harmonização, sua atividade dinâmica fizeram do Mosteiro Montevergine, início da reforma, um poderoso centro espiritual mesmo ainda hoje. Com justiça pode-se dar o nome de reforma Eustoquiana ao movimento por ela realizado. Tornou-se famosa não só na Sicília, mas também na Toscana e na Úmbria. Tendo ingressado num Mosteiro de Clarissas Ubanistas em Basicó - Messina no ano de 1449, depois de alguns contatos com os Frades Menores Observantes que realizavam a reforma da Sicília, começa a batalhar seriamente para que o Mosteiro de Basicó adote a Regra de Santa Clara. Enfrentou seríssimas oposições por parte de um grupo de Irmãs, sobretudo da abadessa que esteve no cargo desde 1433 até 1482. Desde o seu ingresso Eustóquia reza muito pelo seu ideal. Encontra apoio de algumas Irmãs, mas a maioria se opõe, pois nem todas ingressaram ali por inspiração divina e não anseiam pela mesma radicalidade de vida. Basicó é um patronato real que acolhe as jovens da nobreza não destinadas ao casamento para não dispersar a riqueza das famílias. Assim foram introduzidos uma série de abusos que questionam Eustóquia. Através da ajuda dos Frades Menores Observantes, da própria mãe, Mascalda Romano, de sua irmã Margarida e de um grande benfeitor - Bartolomeu Ansalone consegue duas bulas de Calisto III (1457 e 1458) com a ordem de fundar em Messina um mosteiro com a Regra de Santa Clara. Mesmo com as bulas papais autorizando a fundação e a possibilidade de levar consigo companheiras, Eustóquia não consegue deixar Basicó com facilidade. As pressões crescem, e são drásticas. A abadessa não permite que saiam com ela outras irmãs. Por fim, em 1460, com Jacoba Policiano e Lisa, conseguem fugir à noite e se alojam num velho hospital já  preparado para elas. Ali ingressam numerosas jovens. Também sua mãe, sua irmã e uma sobrinha chamada Paula. Com a ajuda dos Frades Menores Observantes, Eustóquia conseguiu em Assis uma cópia (do original) da Regra de Santa Clara, do Testamento e da Bênção, do Privilégio da Pobreza, juntamente com a forma de vida do cardeal Reinaldo. Com outros documentos, estes compõem o importante e famoso Códice de Messina. Além disso, Eustóquia consegue obter uma tradução da Regra para o dialeto siciliano, o que viria a facilitar a leitura e o estudo para as que não soubessem o latim. É interessante acrescentar que no final deste texto do Códice, existe um pequeno escrito autógrafo: “E eu, irmã  caríssima, se isto observares, prometo-te a vida eterna”. A análise grafológica revela a personalidade fortíssima e corajosa da reformadora. A pobreza, no Mosteiro Montevergine, é vivida radicalmente. Eustóquia seleciona as vocações. Só ingressam jovens que se sintam chamadas à vida clariana por inspiração divina e não por outros interesses. O tempo de governo da abadessa fica restrito a três anos, talvez para corrigir o que observara em Basicó, onde a mesma pessoa permaneceu no cargo desde 1433 até sua morte em 1482 (Irmã Flos Miloso). Eustóquia foi eleita várias vezes abadessa, revezando-se no ofício com Jacoba Policiano, fiel colaboradora na reforma e biógrafa da santa. Estudaremos mais de perto na Etapa 14 a figura de Santa Eustóquia

BIBLIOGRAFIA
OMAECHEVARRIA. Ignacio, - Las Clarisas a través de los Siglos. Editorial Cisneros. Madrid 1972, p 124.
CENNI, ELLERO - La Beata Eustochia Calafato. Arti Grafiche Siciliane, Palermo 1980.
TERRIZZI, Francesco - Il libro della Passione. Instituto Ignatianum, Messina 1979.

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